Resenha - Educação Sexual

De acordo com matéria publicada na revista Nova Escola, a educação sexual no Brasil continua sendo um tema bastante polêmico e consequentemente pouco abordado dentro das escolas. Segundo a psicóloga e educadora da Unesp, Mary Neide Figueiró, menos de 20% das escolas públicas têm projeto de educação voltados para a educação sexual de crianças e adolescentes no ensino fundamental. 
Apesar de alguns temas pontuais serem trabalhados, a educadora comenta que no Brasil faltam incentivos à projetos de formação para professores, que partam das próprias instituições, como o MEC.
Tratar deste tema deveria ser algo já naturalizado, mas considerando que passamos por tempos difíceis de obscurantismo e ignorância, grande parte dos pais acreditam que falar sobre educação sexual na escola, vai de alguma forma incentivar seus filhos a querer fazer sexo. 
Perpetuar este tabu torna o assunto mais complexo do que ele realmente é, inviabilizando a possibilidade de ser trabalhado em sala de aula, visto que além de os professores não receberem orientação adequada, pode gerar conflitos entre o corpo docente e os pais dos alunos. 
A matéria nos revela que até a década de 70, não se abordava temas como reprodução humana, mesmo sendo primordiais para o entendimento de biologia básica, como relata a doutora em memória social, Joana Viana de Barros. O tópico só começou a ser debatido de forma mais ampla a  partir dos anos 1990, principalmente no que diz respeito aos livros didáticos. A professora constata que, se consideramos os materiais didáticos dos anos 2000, houve um retrocesso significativo nos temas abordados.
Sabendo que 70% dos casos de violência sexual contra crianças acontece dentro de casa, por pessoas próximas, segundo dados do Disque 100 (2019), é fundamental que os estudantes tenham acesso à educação sexual também fora de casa. Isso não significa que os pais não possam instruir os filhos, mas deve ser uma ação conjunta entre família e escola. 
A educação sexual deve orientar as crianças e adolescentes apenas no que concerne à faixa  etária. Questões sobre anatomia, fisiologia e reprodução, gravidez na adolescência e DST’s são extremamente importantes, porém, conhecer o próprio corpo a fim de ser capaz de reconhecer um abuso, pode ajudar muitas crianças e adolescentes nessas situações a denunciar e pedir ajuda. É dever da escola orientar e propiciar as melhores condições possíveis para que os alunos possam se desenvolver em todos aspectos.

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