O futuro da educação em uma sociedade do conhecimento - Michael Young (RESENHA)
O artigo discutido foi escrito pelo especialista em Educação e professor adjunto do University College of London (UCL) há 50 anos, Michael Young. Defensor do currículo centrado em disciplinas, Young discorre sobre as reformas educacionais as quais alguns países europeus foram submetidos, incluindo o seu próprio, Inglaterra. Inicialmente, para que seja possível compreender a visão de Young, é necessário analisar o contexto no qual o artigo foi escrito, visto que, da forma como está apresentado, acaba refletindo uma linha de pensamento um tanto quanto extremista. De acordo com ele, o grande nível de evasão apresentado pelas escolas inglesas se deve justamente ao desinteresse dos alunos em relação às novas propostas pedagógicas propiciadas pela reforma.
Principal autor da Nova Sociologia da Educação, Young se baseia no conhecimento através de conceitos e não habilidades e por isso, defende religiosamente que currículos mais flexíveis no que diz respeito à interdisciplinaridade, por exemplo, estariam na verdade prejudicando os estudantes, “que uma hora ou outra, seriam desfalcados de conteúdo”. Young ainda afirma que o foco do conhecimento é a disciplina e não o sujeito, entretanto enfatiza que sua visão não é elitista muito menos conservadora, uma vez que sua proposta seria capaz de diminuir as desigualdades educacionais, embora não explique como.
Os argumentos de Young contra as reformas acabam por menosprezar a importância da experiência do sujeito como fator contribuinte para construção do conhecimento e há uma preocupação com o desaparecimento das “fronteiras do saber”, uma vez que os formadores de currículo estariam atribuindo à escola responsabilidades muito grandes por basearem o currículo em contextos sociais, políticos e econômicos, a fim de possibilitar a “resolução” de problemas que não têm origem na escola.
É certo que a escola sozinha não deve e não têm como função principal criar diplomatas e presidentes, entretanto há uma evidente problematização de seu papel como formadora de cidadãos críticos, pois as próprias disciplinas estão inseridas em contextos sociais, econômicos e políticos. Não existe ou pelo menos não deveria existir, uma segregação entre a realidade e os componentes curriculares. Os avanços na ciência, os fatos históricos, as transformações geográficas, a sociolinguística como influenciadora de reformas ortográficas, são todos exemplos de que o conhecimento transforma o sujeito e se transforma à medida que dele nos apropriamos.
Para Young, uma escola onde os currículos sejam escolhidos com base em temas de interesse dos alunos, com o tempo iria acabar trazendo incoerência, uma vez que os formadores de currículo seriam muito arbitrários nesta seleção, e levando em conta que a falta de conhecimento especializado dos docentes levaria à uma nova onda de evasão, ainda maior que a atual. Todavia, não parece haver uma relação concreta entre os dois fatos, se pararmos para analisar a nossa realidade, por exemplo. No Brasil, temos um currículo ainda baseado em disciplinas mas, na educação pública, encontrar uma instituição onde o número de docentes especializados em suas disciplinas supere o número daqueles encaixados em suas “áreas”, ainda é bastante difícil.
A especialização é sim um elemento de grande importância para o sucesso da ensino-aprendizagem, contudo o papel do professor não se limita à ela e muito menos à um currículo que trata matérias como caixinhas de saber científico que tem hora para serem fechadas e abertas, sem envolver suas realidades muito menos contribuir para aprendizagem significativa. Para que o conhecimento seja levado para a realidade do aluno, ela não pode ser excluída da sua construção.
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