Resenha "O que muda no ensino de Ciências com a BNCC?"
A reformulação da Base
Nacional Comum Curricular (BNCC), além de atualizar a nomenclatura, substituindo
os eixos temáticos por unidades, sugere a adaptação de uma nova abordagem de ensino,
focada no desenvolvimento do pensamento científico desde as séries iniciais.
A principal mudança está justamente
no desenvolvimento de um trabalho em espiral, onde as três unidades temáticas
de Ciências deverão ser abordadas de forma progressiva, processo que deve facilitar
a assimilação de conteúdos. Divididas em Matéria e Energia, Vida e Evolução e
Terra e Universo; a nova divisão é estruturada a partir das habilidades e é papel
dos estudantes aperfeiçoá-las à medida que passam de ano, de acordo com grau de
complexidade.
Essas propostas visam
quebrar a linearidade de ensino observada na antiga BNCC, que acabava criando uma
lacuna muito grande na abordagem investigativa uma vez que dentre os quatro
eixos temáticos, apenas três eram trabalhados no ensino fundamental. Desta
forma, ao chegar ao ensino médio e se deparar com conceitos de física e química,
que não haviam sido previamente apresentados nem mesmo em teoria, os estudantes
acabavam por enfrentar grande dificuldade para compreender os conteúdos, agora
mais complexos e abstratos.
É preciso, porém, que se
invista na formação dos profissionais da educação, visto que uma mudança desta magnitude,
a ser aplicada durante o andamento da antiga BNCC, pode gerar muitas dúvidas
quanto às ferramentas de ensino a ser utilizadas para alcançar os novos objetivos
propostos. Uma simples má interpretação do verbo da habilidade a ser
desenvolvida, por exemplo, pode levar à um planejamento de plano de aula que
não vai conseguir suprir as necessidades propostas pela unidade temática.
Considerando a situação
atual da pesquisa científica em nosso país, estas mudanças que focam em uma
abordagem baseada em observação e investigação, além de possibilitar que a aprendizagem
seja construída de forma progressiva, propiciam um ambiente de aprendizagem onde
os estudantes têm a possibilidade de enxergar a ciência não apenas com viés
acadêmico, de componente curricular; mas sim como uma possibilidade de
intervenção na sociedade, como ferramenta de transformação tecnológica.
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