Dialogando sobre as Pteridófitas (Artigo 24)
A supervisora do Pibid Ciências Biológicas da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), Marisa Both, através dos encontros com os demais participantes, teve sua atenção focada para uma problemática bastante comum, que configura como o ensino sem contexto e sem significado, do qual muitos conteúdos de Biologia acabam fazendo parte.
De acordo com Marisa, por conta da formação inicial, muitos educadores mantêm as aulas expositivas como o principal método de trabalho, além é claro, do uso do livro didático como fonte de informação primordial. A professora observou também, que a área de botânica é a que mais “sofre” com isso, uma vez que os estudantes que chegam ao ensino médio, demonstram uma bagagem insatisfatória acerca do assunto, principalmente por ser uma disciplina que exige que o professor tenha um grande domínio e preparo pedagógico, para propor atividades que fujam das mesmices apresentadas nos livros.
Segundo a professora, muito se fala da parte morfológica e sistemática dos vegetais, mas não se dá o enfoque necessário aos aspectos ecológicos e econômicos, o que pode influenciar diretamente na aprendizagem desta disciplina, tornando menos atrativa e aberta à discussão do que as demais.
Com base nestas observações, Marisa elaborou uma metodologia de ensino que permitisse aos alunos usufruírem de aulas expositivas-dialogadas, durante todo o decorrer do ano letivo. Inicialmente, o conteúdo básico (características e classificação) sobre o Reino Plantae foi apresentado e então foi proposta uma saída de campo onde os estudantes deveriam recolher exemplares de pteridófitas para observação das estruturas no laboratório de Ciências da escola.
Foram coletados também esporos de samambaia, e os alunos, orientados por um roteiro prático, puderam recriar o ciclo reprodutivo da planta na estufa da escola. Foi então solicitado que os alunos acompanhassem o desenvolvimento através de um relatório, contendo registros fotográficos da experiência bem como esquemas e desenhos.
Para a professora, a diferença do trabalho desenvolvido com a participação ativa dos estudantes, que puderam observar os processos que outrora haviam sido apenas vistos em figuras do livro didático, é surpreendente. O livro didático continuou a ser usado como instrumento de pesquisa, porém não como a única. Foram encorajadas, além do método científico, pesquisas na internet; uma ótima oportunidade de incluir a tecnologia como ferramenta no processo de aprendizagem.
Both afirma que a qualidade do ensino de Ciências, principalmente de botânica, está diretamente relacionada à qualidade da licenciatura e que, os educadores devem ser motivados a repensar as formas de ensino tradicionais, sendo igualmente importante que estes nunca parem de pesquisar e se aprofundar em suas áreas, para que possam ter mais liberdade e flexibilidade na forma de trabalhar os conteúdos.
Deste modo, é possível também criar contextos entremeados à outras áreas do conhecimento, cumprindo, de acordo com Morin (2002), as duas funções mais abrangentes do ensino de botânica: a profissional e técnica e a cultural e formadora de cidadania.
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