Análise de Realidade - Questionário Socioeconômico
Durante o mês de abril, fomos responsáveis por elaborar e aplicar um questionário socioeconômico aos alunos da escola municipal Dom Henrique Gelain a fim de que possamos fazer uma análise de conjuntura que nos permita conhecer a realidade em que nossos alunos estão inseridos. O questionário teve 31 perguntas, divididas fundamentalmente em 3 tópicos: dados pessoais; relações com a escola e questões socioeconômicas propriamente ditas.
No 7º C com o qual estou trabalhando é bastante homogênea, tanto na distribuição entre meninos e meninas, como na faixa de idade predominante: 12/13 anos, demonstrando baixo nível de reprovações. A maioria dos estudantes afirmou gostar de estudar e de ir para a escola, não havendo entre esses dados uma relação significativa quanto ao gênero.
Quanto ao grau de escolaridade dos pais, houve predominância de ensino fundamental ou médio incompletos; nenhum dos pais teve acesso ao ensino superior.
Todos os alunos (15) afirmaram ter incentivo dos pais para estudar, entretanto como o primeiro gráfico abaixo mostra, as respostas não parecem condizentes com a informação anterior, visto que alguns estudantes afirmaram que os pais não os ajudam por estarem sempre cansados do trabalho, e até mesmo que eles não obtiam ajuda ou por não precisar ou por determinação dos pais para que eles fizessem as tarefas sozinhos. Este desencontro de informações expressa uma má interpretação do conceito que esses alunos têm por "incentivo", como se o fato dos pais e/ou responsáveis "mandarem" fazer as tarefas, por exemplo, fosse um estímulo suficiente.
Em relação à sala de aula, a turma apresenta apenas 3 repetentes, tendo estes reprovado apenas uma vez. A grande maioria afirma que os professores dão tarefas extraclasse e as corrigem, além de demonstrarem questioná-los sempre que têm dificuldades com a matéria. Visto que minha única interação com eles foi a própria aplicação do questionário, ainda não tenho um perfil definido traçado entretanto aparenta ser uma turma na qual não terei grandes dificuldades de trabalhar.
A internet foi a opção predominante, tanto como recurso para estudar quanto meio principal de obtenção de notícias, neste caso seguida apenas da TV. O uso da biblioteca mais comum é a busca de livros, fato que condiz com ser este o segundo recurso mais usado para o estudo; os estudantes também usam este espaço para fazer trabalhos.
Praticamente todos os alunos vão a pé para a escola por morarem nas proximidades, o quê tem influência direta na baixa ocorrência de faltas, se comparada à outras turmas. Dentre aqueles que costumam faltar frequentemente, não conseguir acordar foi o motivo predominante, seguido de chuva e problemas de saúde.
Quando questionados sobre atividades extracurriculares, a opinião dos estudantes ficou bem dividida, entretanto considero um saldo muito positivo metade dos estudantes demonstrarem interesse em tê-las. A mais citada foi a volta da banda do colégio, a qual, de acordo com a supervisora Carla Cassol, era extremamente bem-quista por todos; aulas de reforço e de informática empataram como segundas alternativas. Estes dados são muito coerentes com a realidade das crianças, uma vez que a grande maioria dedica seu tempo livre no turno contrário para tarefas domésticas e principalmente uso de redes sociais; a pesquisa acaba assim por expôr necessidades culturais também.
Já nas sugestões quanto à organização escolar, muitos alunos pediram melhorias na merenda, sendo os palpites divididos entre mais qualidade e porções maiores, o quê me chamou atenção pois o almoço em casa foi considerado majoritariamente a principal refeição. Também foram sugeridas mudanças na infraestrutura da escola, como limpeza dos espaços e das pichações e até a abertura de um bar.
No quesito econômico, todos informaram ter moradia própria e o número de moradores na mesma residência apresentou bastante variação, entretanto a maioria vive em um núcleo de 3 a 5 pessoas, mas há casos onde há 8 pessoas. Um fator bem contrastante foi a relação número de pessoas na família/ trabalho com atividade remunerada, pois apesar de núcleos familiares grandes, poucas pessoas contribuem para a renda familiar, sendo a maioria de 1 a 2 pessoas.
Levando em consideração de que a renda familiar predominante varia de 1 a 3 salários mínimos e que metade da turma não recebe nenhum tipo de auxílio, temos aqui uma comunidade financeiramente fragilizada, com reflexos bastante perceptíveis, como carência material e emocional, baixa autoestima, falta de perspectiva e até mesmo padrões de marginalização dos alunos, como comportamento agressivo e dificuldade em acatar ordens.
Percebe-se uma resistência (totalmente compreensível) por parte dos estudantes para expôr as adversidades que sabemos ser existentes em seus núcleos familiares como alcoolismo, casos de prisão e violência; a maioria da turma afirmou não ter conhecimento sobre esses casos ou relatou caso de doenças, que coincidentemente representa a opção que causaria menos constrangimento.
Compartilham características muito semelhantes com as demais participantes do projeto, como as carências financeira a emocional já citadas. Contudo, por se tratar de um 7º ano onde a maioria dos alunos estão na idade certa, e por ter ter nível de reprovação baixo, é uma turma com grande potencial visto que felizmente não atingiram o limbo da falta de perspectiva; e espero, que neste tempo que vou acompanhá-los, eu possa confirmar todas as minhas expectativas.
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