Considerações sobre "Ciências: fácil ou difícil?" - Nelio Bizzo
Ciências: nem fácil nem difícil
Imagem disponível em: <https://media.istockphoto.com>. Acesso em 30/01/2019
Em seu livro, Bizzo discorre sobre formas de quebrar os paradigmas que estigmatizam o ensino de Ciências, utilizando uma linguagem acessível e repleta de exemplos práticos, que nos ajudam a contextualizar as ideias à prática pedagógica cotidiana. Através de sua perspectiva como educador, o autor evidencia e discute algumas dificuldades encontradas no ensino de ciências, que acabaram por criar uma "cultura do fracasso escolar" nesta área. Dentre as justificativas que fomentam esta ideia de insucesso, podemos citar o eventual despreparo dos docentes; o ensino de ciências muitas vezes tratado como "placebo pedagógico", uma vez que na maioria das escolas, têm- se como ideia de "Ciência" um componente curricular complexo porém compulsório, onde a memorização de palavras difíceis é umas das principais características.
Essa "má fama" distancia os professores da democratização da Ciência e de sua função como formadora de "indivíduos críticos e inquietos diante do desconhecido", como Bizzo enfatiza. Pode-se identificar aí um estereótipo onde os professores de Ciências são comumente conhecidos como "sabe-tudo", o que apesar de parecer indicar qualidade, revela uma grande falha no processo de ensino-aprendizagem, visto que o docente configura o papel de detentor do saber. Neste quadro, a ciência é vista como uma matéria que exige memorização de palavras e conceitos rebuscados, o que faz com que os alunos sejam motivados extrinsecamente, pois apesar de apáticos na construção do conhecimento científico, são capazes de reproduzir a decoreba e percebem que isso é o suficiente para causar reações favoráveis.
Essa "má fama" distancia os professores da democratização da Ciência e de sua função como formadora de "indivíduos críticos e inquietos diante do desconhecido", como Bizzo enfatiza. Pode-se identificar aí um estereótipo onde os professores de Ciências são comumente conhecidos como "sabe-tudo", o que apesar de parecer indicar qualidade, revela uma grande falha no processo de ensino-aprendizagem, visto que o docente configura o papel de detentor do saber. Neste quadro, a ciência é vista como uma matéria que exige memorização de palavras e conceitos rebuscados, o que faz com que os alunos sejam motivados extrinsecamente, pois apesar de apáticos na construção do conhecimento científico, são capazes de reproduzir a decoreba e percebem que isso é o suficiente para causar reações favoráveis.
Este comportamento revela também, a ideia errônea que a sociedade entende por Ciência, já que um aluno que saiba de cor palavras difíceis parece "saber mais" do que aquele capaz de explicar o mesmo conceito, mas utilizando de seu próprio vocabulário. Tive este exemplo em casa. Lembro-me que quando criança, li em uma revista infantil que a maior palavra do dicionário brasileiro era "pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiótico" e logo notei que essa informação causava encantamento entre os adultos lá de casa, visto que vinha de uma menina de 7 anos. Ninguém parecia muito preocupado em saber de onde eu a tinha tirado ou mesmo se eu sabia o que ela significava (embora eu estivesse preparada para ambas as perguntas 😏).
O caráter de "elitização da Ciência" que suas terminologias pomposas implicam, dificulta o aprendizado e a desmistificação que envolve todo esse universo. Isso não significa que a nomenclatura científica deva ser abandonada de vez, apenas sugere que ela seja ensinada e exigida quando necessário, não sendo o principal foco dos alunos decorá-las. O método científico se utilizado pelo professor para construir o conhecimento coletivamente, sem a necessidade de palavras compridas mas com fundamentação na bagagem empírica dos alunos e em uma abordagem que leve em consideração o contexto em que vivem, facilita na compreensão dos conceitos, internaliza o saber adquirido e auxilia na motivação intrínseca, aquela que parte da curiosidade do aluno, da satisfação (intelectual e, muitas vezes, emocional) por ter alcançado o objetivo e participado do processo.
O autor propõe que para desmistificar o ensino de ciências, é necessário que se respeite a "ecologia intelectual" dos alunos, levando os conhecimentos prévios por eles adquiridos para dentro da sala de aula, para que notem que a observação configura etapa importante para a Ciência. Para Bizzo, um professor de Ciências não precisa ser um especialista em pesquisa na área que leciona, entretanto, é imprescindível que esteja a par das pesquisas e estudos sobre o ensino de Ciências, porque isso permite experimentação de metodologias e práticas pedagógicas, bem como debates com colegas e até mesmo, subsídios para elaboração de um Projeto Político-Pedagógico.
O livro apresenta também orientações para a prática da docência, visando, é claro, contribuir para o êxito no ensino de ciências. Elementos como a escolha do livro didático que apesar de ser um material de apoio e não "roteiro de instrução", pode tanto ajudar quanto prejudicar o trabalho pedagógico. Demais materiais didáticos e conceituações apresentadas aos alunos, devem ser verificadas e priorizar precisão à aspectos estéticos ou lúdicos, por exemplo.
Aulas de experimentação lecionadas no laboratório (se possível), influenciam diretamente na motivação intrínseca dos estudantes e instigam a curiosidade dos pequenos sobre o lado "glamouroso" da Ciência, idealizado em suas cabecinhas como o uso de jaleco e os vidrinhos esquisitos que lá podem ser encontrados. Se bem instruídos e acostumados com a Ciência como postura e modo de ação e não apenas pela concepção caricata dos cientistas malucos dos desenhos animados, a ideia de "brincar de cientista" em nada interfere na aprendizagem, e de quebra ainda caracteriza o único meio pelo qual magia e ciência podem se encontrar.
Referências: BIZZO, Nélio. Ciências: fácil ou difícil? São Paulo, Ática, 1999.

Sou professora de séries iniciais, trabalho com um 2º ano. Adoro ciências. Penso que ciências é vida, é cotidiano. Está super presente na escola e na vida dos alunos, por isso tento conduzir seu olhar para as descobertas, as manifestações da natureza, do corpo humano, das interações dos seres vivos em geral, de tal forma que estudemos brincando e que possa despertar neles, o olhar, a prática e os questionamentos que forjem, talvez, um futuro cientista.
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